Como as eleições de 2026 mudam os seus investimentos?
Eleições chegando e o mercado financeiro já começou a ferver. O assunto de eleições e investimentos vai dominar o noticiário pelos próximos meses — mas antes de você sair vendendo tudo ou realocando sua carteira por causa de uma manchete, vale a pena fazer uma pergunta simples: você realmente precisa mudar alguma coisa?
Spoiler: provavelmente não.
Qual é a sua estratégia de investimentos?
Antes de mais nada, responda com honestidade: você tem uma estratégia definida ou simplesmente compra o que seu cunhado mala, um colega de trabalho ou um youtuber famoso indicou?
Se você tem uma estratégia sólida, esse artigo é pra você. Se não tem, talvez valha dar um passo atrás antes de continuar.
O que é uma estratégia de investimentos?
A grosso modo — uma estratégia é um método que você aplica com consistência e que faz sentido pra você:
- Se você é trader, compra e vende ativos com frequência;
- Se você segue valuation, busca negócios subvalorizados;
- Se você pratica buy and hold, mantém bons ativos por anos a fio.
O que separa quem navega sem rumo de quem sabe exatamente pra onde vai é justamente isso: ter um método e seguir ele, independente do barulho lá fora.
Só pra firmar meu posicionamento: sou adepto do buy and hold — B&H pros íntimos. Simplicidade, estudo e manutenção de bons ativos ao longo do tempo, colhendo valorização e proventos no caminho.
Futurologia
Existe um vício muito comum entre investidores: tentar prever o futuro econômico do país e agir com base nessas previsões. Chamo isso de futurologia — e uso o termo de forma pejorativa mesmo.
Um exemplo clássico: em meados de 2002, o Brasil vivia uma crise forte. O dólar estava próximo dos R$ 4,00 e o Ibovespa na casa dos 11 mil pontos. A previsão dominante era dólar a R$ 10,00 e Bolsa despencando.
O que aconteceu? O Ibovespa chegou aos 73 mil pontos e o dólar caiu pra cerca de R$ 1,60.
Fonte: TradingView
O problema em prever cenários de pós-eleição não é só que você pode errar o candidato. É que, mesmo acertando quem ganha, você provavelmente vai errar como o mercado vai reagir.
Retorno das ações em governos de esquerda e de direita
Vamos aos exemplos de como diferentes mercados de ações reagem a depender de qual espectro político está no poder.
S&P 500
Fonte: TradingView
O S&P 500 subiu tanto em governos de direita quanto em governos de esquerda nos Estados Unidos — e, curiosidade: lá as cores são invertidas, vermelho pra direita e azul pra esquerda.
Por quê? É simples:
- Nos governos Democratas, o mercado entra em pânico com gastos e déficit. Quando percebe que o orçamento está equilibrado como sempre, a Bolsa sobe normalmente.
- Nos governos Republicanos, a expectativa de corte de gastos é enorme. Quando o investidor percebe que nada mudou tanto assim, o crescimento segue normal.
Ibovespa
Fonte: TradingView
No Brasil, o padrão se repete. Por mais que haja oscilações em determinados períodos, tanto em governos de esquerda quanto de direita, a Bolsa continua crescendo e entregando retorno ao longo dos anos.
A oscilação do Ibovespa vai muito além do resultado das eleições. Taxa de juros, momento macroeconômico, eventos imprevisíveis como uma pandemia, valorização da moeda — tudo isso pesa mais do que qualquer eleição.
O noticiário de investimentos
Você não vai achar essas informações nas manchetes por aí. O que você vai encontrar são títulos como “saia da renda variável enquanto é tempo”, “compre essa ação se o candidato X vencer” ou “venda antes que seja tarde”.
Esse tipo de conteúdo, muitas vezes patrocinado por bancos e corretoras, tem um único objetivo: fazer você girar patrimônio e deixar parte do seu retorno em taxas, corretagem e assessorias.
O alarmismo não é acidental. É o modelo de negócio.
Segura firme
Se tem um conselho que posso te dar com base nos meus anos de mercado financeiro, é esse: siga em frente e não olhe pros lados.
Nenhum profissional do mercado financeiro está mais interessado no seu enriquecimento do que você mesmo. Estude, analise, entenda, cuide do seu patrimônio com as próprias mãos — e não se assuste com o barulho que virá. Porque vai vir.
De preferência, leia o mínimo possível dessas “notícias” que misturam política, eleições e investimentos. Elas não servem pra absolutamente nada — exceto pra enriquecer quem as publica.